31 de mar de 2009

O grande clássico - Parte V

Saverio Russo ficou perplexo quando, aos dez minutos do segundo tempo, Barthô virou-se para o banco de reservas e fez um sinal com a mão o chamando. Os dois fundadores do Anhangüera estavam brigados desde o jogo contra a Portuguesinha que acabou rendendo o épico afastamento do agora técnico Barthô.

O jogo corria com pouca bola rolando e o cacete comendo solto. De acordo com as regras do festival só poderia ocorrer substituição se houvesse contusão séria. Se o juiz achasse que algum jogador pudesse continuar, mesmo estropiado, era dele a sentença. A essa altura o rubro-negro já jogava com dois homens a menos. Guimarães, o center-half (o que hoje seria – mais ou menos – o médio volante) sofrera uma torção no tornozelo no começo da partida e ficou fazendo número na extrema direita. Pirica, que substituía Barthô na função de matador tomou um pontapé daqueles de cima a baixo e, sem poder andar, pediu a substituição. O juizão Clemente disse que era frescura e o Pirica foi estancar na extrema esquerda.

A situação estava preta. O jogo virou com o Carlos Gomes na frente, um a zero, num gol de pênalti. A penalidade, “absurdamentte marcada” conforme registra a ata de reunião na semana seguinte, se deu quando o atacante driblou Zezinho na entrada da área. Sem ter pra quem passar a bola e rodeado de adversários, tentou fazer uma jogada de efeito. Acabou dando com o calcanhar na própria perna e caiu. A torcida riu da cena patética! Só o juiz larápio que não; pênalti!

Apesar da situação adversa o time do Anhangüera tinha Lobo, um meia esquerda de passes refinados e Sá, um veloz ponta-esquerda que estava jogando de center-forward desde que Pirica foi fazer número na sua posição. Os dois estavam inspiradíssimos, fazendo tabelinhas de costurar qualquer zaga, enquanto os outros seis jogadores corriam barbaridade pra suprir os dois que estavam baqueados.

No começo do segundo tempo, Grecco deu um rabo de arraia num incauto atacante deles. Houve empurra-empurra. Clemente autorizou a substituição do jogador do Carlos Gomes, que nem se machucou. Consta que o malandro simulou contusão porque Grecco, um cavalo, estava em seu encalço o jogo inteiro. A autorização da substituição causou revolta na torcida rubro-negra. Ficou nítido que Clemente estava disposto a fazer de tudo para que o Anhangüera perdesse, e o jogo ficou mais nervoso ainda.

Quando Barthô chamou Saverio para entrar em campo só se ouviam os urros de Sá. Numa jogada, aos dez minutos do segundo tempo, Sá entrou na área e sofreu uma falta criminosa, que deu em fratura exposta. Um dos quatro carros que haviam levado os jogadores o encaminhou direto para a Santa Casa, onde ficou internado. Clemente, dessa vez, não tinha o que fazer. Marcou a penalidade e autorizou a substituição. O espanto de Saverio é que o natural seria a entrada de Felício, o melhor entre os reservas. Mas Barthô preferiu reatar com seu amigão Saverio Russo, abrindo mão de uma já inesperada vitória.

O Anhangüera já estava morto em campo, os oito que agüentavam correr já quase não conseguiam dar mais um pique de três metros. O time recuou e sofreu um bombardeio até o fim do jogo. Em ata consta que “Laurino demonstrou atuacção brilhantte, pegando acrocbaticamente todas as investiddas do adverssário”.

Saverio era, originalmente, um jogador de contenção, fraco tecnicamente. Na meia cancha, naqueles vinte e cinco minutos que restavam de jogo quando entrou, deu sua vida, dando até a cara pro inimigo chutar. O Anhangüera estava sem ataque. Pirica e Guimarães continuavam em campo, mas eram duas estátuas, cada um em um extremo. E o pior: com a entrada de Saverio, o rubro negro ficou sem referência lá na frente. Imagino a essa altura que a diretoria inteira, a torcida e os jogadores pensavam “ah, se o Barthô estivesse em campo”.

Mesmo assim o time do Carlos Gomes não conseguiu cavar outra falta máxima. Fez-se um paredão de vermelhos e pretos à frente da muralha que foi o Laurino. Até que Clemente viu – e mais uma vez só ele viu! – uma falta na entrada da área, daquelas perigosíssimas. Todo mundo foi reclamar, inclusive Barthô, que entrou em campo pra tirar satisfação com Clemente, o principal articulador de sua suspensão. Segundo Barthô, Clemente disse a ele que “sua directoria não deu valor ao meu trabalho, me trattaram como um ratto. O Anhangüera só ganha estte jogo se eu morrer!”.

(Continua)

4 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Vai cagá Cabra..eu quero o final da história....hahaha..mt bom !
Vai Barthô !!
Vai Anhanguera...o samba comeu bonito sexta-feira. Parabéns a todos, aos Inimigos e ao Murilão...

Angelo

31 de março de 2009 18:50  
Blogger Szegeri disse...

Mentirosão...

31 de março de 2009 19:06  
Blogger Arthur Tirone disse...

Angelo e Szegeri: não deu pra fechar o causo na quinta parte, como eu havia prometido. A próxima é a final!

2 de abril de 2009 12:56  
Blogger Felipinho disse...

Tá esperando o quê para botar o final do conto? Anda logo, porra! Anda, anda...

3 de abril de 2009 15:05  

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