23 de abr de 2009

Anhangüera dá Samba XXII

A última sexta do mês passado foi um troço memorável, eu diria até que foi surreal. Por todos os lados e de todo lado chegava gente no Anhangüera. O terreiro foi entupindo dessa gente toda de uma maneira desenfreada. Murilão, todo garboso, deu o ar da graça ainda no princípio do samba e foi, do começo ao final da noite, o centro das atenções. Mesmo bebendo água - apenas água - há mais de um ano, o homem não parece um reles sóbrio. Há, na sua cara, na sua voz e nos seus gestos, uma pesada brisa. Brisa de uma beleza austera, de quem sabe o que deve ser feito, de sambas irresistíveis.



Quando me refiro à brisa, há que se registrar que Murilão contagiou até as traves do campo. Eu olhava para o gol e via a rede balançando. Não havia bola . Nem vento. Em volta da roda de samba uma platéia desvairada cantava e vibrava. Murilão avisou no começo, após não encontrar o tom de uma de suas pérolas: "Não sou cantor; sou compositor!". A Festa de São João, parceria sua com Luis Carlos Chuchu, deixou uma coisa evidente; seria uma grande noite, com um preto ancestral comandando os trabalhos. E a noite correu assim, com as pessoas embriagadas da tal brisa que o homem irradiava. Um axé natural e tremendo!

(Dessa vez infelizmente não temos - por enquanto! - um vídeo do Murilão cantando.)

Amanhã (última sexta do mês, como sempre), tem mais. Os Inimigos do Batente receberão o portentoso Toniquinho Batuqueiro, legendário sambista paulista. Toniquinho, nascido em Piracicaba, veio pequeno para São Paulo. Na Praça da Sé estabeleceu o ponto de sua caixa de engraxate, onde batucava a tiririca, uma espécie de capoeira. Em pouco tempo já era um dos sambistas mais expressivos do saudoso Largo da Banana na Barra Funda. Mais tarde participou da fundação da Unidos do Peruche.

Sua música é influenciada por elementos do interior do estado - principalmente o tambu - e por sambas e marchas. Sua destreza percussiva lhe alçou à categoria de referência neste quesito, incorporada inclusive ao seu nome.

Toniquinho gravou em 1974, ao lado de Geraldo Filme e Zeca da Casa Verde, o espetacular disco Plínio Marcos em Prosa e Samba - Nas Quebradas do Mundaréu. Desse disco, deixo com vocês sua música Ditado Antigo; nela Toniquinho dá mostras de que é um dos grandes sambistas vivos. E sua presença nos honra demais!

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Até amanhã!

3 Comentários:

Blogger Carolina Mello disse...

Arthuca !!!!
Hoje irei ver a lenda do samba paulista ... hehehehe ...
Tá aí, meu blog novo !!

Beijocas ...
Ah, seu blog continua lindo e engraçado !! ahahahhaa

24 de abril de 2009 20:29  
Blogger Isaac disse...

Grande amigo........ façamos coro !!! Salve o " curintians " campeão dos campeões.....
Um abraço e parabens !!!

5 de maio de 2009 11:48  
Blogger Arthur Tirone disse...

Salve, Isaac, obrigado! Espero logo, logo nos encontrarmos novamente. Venha a São Paulo e iremos beber no centro, na Duque de Caxias.
Abração!

5 de maio de 2009 13:07  

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