24 de jun de 2008

Anhangüera dá Samba XII

Completamos um ano de Anhanguera dá Samba! assim, do jeito que tem e que há de ser. Simples, como o samba e a gente gosta. Porque quanto mais se inventa, pior fica. No Anhanguera a iluminação, por exemplo, após várias tentativas, é de celofane nas poucas lâmpadas que ficam acesas. Foi a melhor que encontramos após testarmos set lights fortíssimos que queimavam a cabeça dos músicos (ainda mais o Kico e o Tchubí, que são carecas) ou treliças complicadíssimas com várias lâmpadas e cores que davam cara de show a um ambiente tão descontraído. Aliás, aí reside o fato de termos migrado do salão social lá pra parte de fora, onde mora o Diabo Velho.

Após um ano posso afirmar que, se por qualquer motivo, o projeto acabasse hoje, eu já teria muita história pra contar e recordar, mas a coisa vem tomando um rumo que me faz bater o olho no calendário à espera do próximo samba; à espera de que, mais uma vez, os Inimigos do Batente e um convidado bamba façam a Barra Funda e o Bom Retiro estremecerem. Porque o intuito dessa empreitada é, além de se fazer e curtir um samba, o de acordar o espírito dorminhoco do lugar e o de proporcionar, ao menor custo possível - com muito custo -, a cultura, a diversão e a cachaça pra quem quiser chegar; desde que chegue devagar, devagarinho. E que assim seja, como “vencendo”...



Antes de falar sobre a última festa gostaria de agradecer as pessoas que fazem a coisa acontecer, o que nunca fiz até hoje: Railídia, que foi a primeira pessoa a abraçar a idéia, acreditar e passar pro papel, há 4 anos; Fernando Szegeri: graças a ele é que o projeto saiu do papel e por causa dele a gente curte esse monte de ilustres convidados. Foi esse monstro quem deu o nome ao projeto e, além de tudo, ainda divide comigo as buchas; os outros sete dos Inimigos do Batente: Cebola, Kico, Julio Vellozo, Marcelo Homero, Paulinho Timor, Tchubí e Cabelinho, que toparam a parada desde o início ganhando ou não um qualquer até engrenar; Mimi (meu pai) e Denize (mãe), que me dão uma força indizível e incansável pelo simples prazer de ver o samba castigando no terreiro. Bruno, Sherra e eventualmente o Rômolo, que abdicam da farra até as duas da manhã ficando na portaria; Daniel Frangiotti, meu parceirão que filma, tira fotos, ajuda a encher o freezer na véspera e faz todas as artes gráficas dos cartazes. Milena, que tem as mais simples e melhores idéias que se pode imaginar; Bira, Luizão, Janderson e Brasil, a melhor (e maior) equipe de segurança do mundo; Buga, Robson e João da Tóta, que dão conta das bebidas e do churrasco quando o bicho tá pegando; Didi, o zelador do Anhanguera, que deixa o ambiente brilhando antes e que depois limpa o lixo que deixamos; André Peruca, que sempre dá uma grande força na divulgação e ao Zulu, porque o Zulu é o Zulu.



Não há muito que firular sobre o Noca da Portela. Nunca vi o Anhanguera daquele jeito; todo mundo – e foi recorde de público - numa reverência terrível ao mestre; batendo continência mesmo. Noca destilou simpatia e fez 400 vozes se juntarem num ritual belíssimo em torno da roda. Foi uma brasa atrás da outra; música de sucesso, clássicos, lado B e mais que tais, tudo acompanhado pela massa, a ponto de afirmar, o malandro, estar pasmo. Noca representou e marcou a comemoração do nosso primeiro ano de uma maneira que ninguém poderia imaginar. Os fiéis de cada samba no Anhanguera não hesitam em confirmar o chute que o Samba, incorporado no Noca, deu na bunda do frio. Ao mestre nosso agradecimento, mais uma vez. Vejam o filme de sua entrada e a primeira “pedrada” entoada:



Nesta sexta tem mais, com Ivan Milanez, carioca de 62 anos, mestre jongueiro e batuqueiro do Império Serrano. Sujeito criado entre Silas de Oliveira, Mano Décio, Dona Ivone Lara, Campolino, Darci do Jongo, Mestre Fuleiro, Tio Hélio e Aniceto, viveu sua vida inteira na Serrinha. Foi músico de vários artistas como Roberto Ribeiro e Beth Carvalho e contribuiu muito para o ressurgimento da “Velha Lapa” boêmia. Hoje Ivan participa de vários shows e integra a Velha Guarda Imperiana. Estamos de braços abertos pra receber este baluarte que vai sacudir o Anhanguera. Ouçam a música Cada um com seu cada um, que Ivan Milanez divide com Zeca Pagodinho no disco do Zeca de 1993.



Até sexta!

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