21 de ago de 2009

Reverência ou revés

Credito a Angelo, meu irmão gêmeo, o homem que nasceu abraçado comigo, o título de “o maior Anhangüerista” da atualidade. Nem mesmo um Walter Gordo, o último remanescente dos tempos dourados, filho do lendário Antenor e ex-presidente, é páreo para o “pesquisador”. Angelo trabalha arduamente pela recuperação da história do clube. E recuperando tal história ele escancara – mesmo não tendo essa pretensão – a história de um pedaço da cidade e de seus costumes num tempo passado. Mas isso não tem nenhuma valia, não?

Infelizmente pouca gente se interessa por este trabalho. Há quem ignore redondamente a investida. Aliás, a maioria ignora; fato que comprova a importância que as coisas têm. Quem não dá valor ao que passou, aos que plantaram, jamais entenderá o que lhe vem às mãos.

Digo isso porque observo. Há, hoje, muita gente querendo “trabalhar pelo clube”. Nenhum desses sabe, por exemplo, que na década de 50 se apresentou na gloriosa sede da Rua do Bosque com a Anhangüera um compositor do porte de Kazinho; e que mês retrasado contamos com a presença de um Wilson Moreira... Mas quem são esses fulanos, não? Não imaginam que nosso clube se notabilizou durante décadas, na cidade, pelos bailes de Carnaval e – acreditem! - de samba. E nem numa revelação divina em sonho veriam, como vejo, a velha sede revivida agora, às últimas sextas do mês. Não vêem porque não conhecem, nem nunca conhecerão, a história do Anhangüera. Acham, inclusive, festa de gentalha.

Um clube que congregava nossos ancestrais. Taí uma coisa em comum, a única. Meu avô e teus pais – porque sois mais velhos que eu e meu irmão – bebiam no mesmo garrafão de vinho as mesmas dificuldades; as necessidades eram idênticas. Pobres imigrantes pais de emergentes!

Não sabem, vocês – mas meu irmão sabe, tolos -, que firmamos parceria com o notável e querido Cordão da Verde e Branco da minha Barra Funda – que rejeitas asquerosamente - e que assinávamos seus livros de ouro e aplaudíamos seus desfiles. Não gostam do samba; preferem a Jovem Guarda e seus iêiêiês cantados pela gente “bonita”. Meu irmão e eu gostamos de samba, saibam. E gostamos de imaginar que os que nos legaram estejam bem representados no que diz à preservação sem cair na babaquice de "viver no passado". Porque o mundo gira, nós sabemos disso.

Tua boa intenção não me diz nada e não me agrada. Aliás, acho de tremendo mau gosto tuas preferências e tuas escolhas. Mais que mau gosto, vão de encontro ao que lhe compete. Porque não sabes o que deve fazer; nunca te interessou a nossa história. Te interessa a tua gente bonita e teus iêiêiês, cousa que aqui – devias saber, como sabe meu amado irmão – não pega! Continue tentando.

Tua praticidade, “visão empreendedora” e dinamismo me enojam porque excluem a relação humana; porque passam por cima, inclusive, de qualquer relação como a do garrafão de vinho dividido. Vocês que gostam de dizer que querem melhorar nossa agremiação, que implantarão metodologias inquebrantáveis, que firmarão os alicerces... Vocês só vêem o que vai ao alcance dos olhos. Não há Taj Mahal que vocês construam dentro do Anhangüera que lhes credite reverência no futuro. Porque vocês – que não passam de três, quatro – não reverenciam, como faz meu irmão!

8 Comentários:

Blogger Bruno Ribeiro disse...

Não passarão! Não passarão!

PS: Querido, dentro desta discussão fundamental, inserida na batalha mais importante da vida (que é a batalha de ideias entre o homem de caráter e o oportunista), recomendo vivamente que você procure e assista, o filme argentino Clube da Lua. Guarde esse nome e assista-o enquanto o debate está quente aí no Anhangüera.

Beijo!

21 de agosto de 2009 08:25  
Blogger Bruno Ribeiro disse...

O título original do filme é Luna de Avellaneda. Procure na locadora, mano, assim que puder! Se queres ter uma ideia da cena do debate - inesquecível - entre o grupo que quer a privatização (venda) do clube e os solitários que defendem a tradição do bairro e a manutenção do clube nas mãos da comunidade, entra aqui: http://www.youtube.com/watch?v=CwVCnLJxOxw&feature=related
Mas o ideal é ver o filme desde o início, com legendas e contextualizado. Não deixe de ver neste momento!

21 de agosto de 2009 08:57  
Blogger Claudio Yida Jr disse...

Dá-lhe Favela! Essa é uma das faces dessa tal modernidade que tanto admiram, mas que não agüentam o tranco da resistência bonita que ceis fazem aí na Barra Funda.

Quem tem história é indestrutível!

Abraço.

21 de agosto de 2009 10:02  
Anonymous Anônimo disse...

Cabra, boa tarde

Primeiro obrigado pelo elogio de "o maior Anhanguerista", não acredito que seja o maior porque temos muitas pessoas que amam o clube como nós amamos.

O fato é que muitos não conseguem enxergar o que é o AAA realmente, o que ele significa, a resistência, dificuldades, 39 anos segurando um pedaço de chão que todos desejam (principalmente os políticos).

Nós não somos e não fazemos nada se nos compararmos ao passado, nossos bailes não são iguais,nossas festas, nossos festivais (que festivais temos hj em dia?) e principalmente o AMOR pelo clube, acredito esse ser o ponto mais importante....antigamente todos se preocupavam em ajudar, quem não podia dar $, ajudava com trabalho, carregava o caminhão, arranjava o que fazer, mas ninguém ficava se preocupando se uma pessoa deu mais ou menos $, trabalhou mais ou menos, porque todos sabiam que cada um fazia o máximo dentro da sua realidade. Não se preocupavam em ganhar "plaquinhas” pelos seus feitos ou doações, porque faziam com o coração, faziam para que todos desfrutassem.

Infelizmente isso acabou, não vemos mais isso hoje em dia, muitos são os que criticam, poucos são os que trabalham, muitos são os que apontam, poucos os que reconhecem e por aí vai.....o que me entristece e me dá medo é do futuro, quem são as crianças que estão crescendo no clube ? Quem dos atuais AAA criam suas raízes lá ? Essa é minha maior preocupação.

Não me importo se não reconhecem o trabalho re resgate da história do clube, se passei 1 ano scaneando fotos para não perdemos a história de 80 anos que estava jogada na sala de Diretoria....minha preocupação é maior que isso.

Gostaria de lembrá-los que muitos dos maiores Anhangueristas, os que mais ajudaram o clube a se manter em pé NUNCA foram presidentes e NUNCA precisaram de uma “plaquinha” com seu nome gravado nela...porque o nome dessas pessoas está gravado na história, coisa que muitas pessoas não terão mesmo sendo presidente do AAA.

Abs,
Angelo Tirone

21 de agosto de 2009 15:07  
Anonymous Anônimo disse...

PS: Parabéns pelo texto.
Angelo

21 de agosto de 2009 15:07  
Blogger Arthur Tirone disse...

Bruno, você já tinha me alertado sobre esse filme. Vou atrás dele! Beijo, mano.

Craudio, essa coisa de modernidade é nisso que dá. Abração!

Angelo: Falou e disse! Pior é nêgo que se esconde atrás dou outro; que te dá tapinhas nas costas... Beijo.

21 de agosto de 2009 16:55  
Anonymous Anônimo disse...

Arthur, parabéns pelo texto e pelas palavras de HOMEM, não se preocupe. Todos ficarão sabendo do teor da reunião(19/08/09) e com certeza você terá o apoio de todos que realmente são anhanguera, e não passageiros que estão empolgados no presente momento. Marque uma próxima reunião que eu convocarei os associados que realmente são ANHANGUERA, estarão presentes, e com certeza absoluta nem você nem ninguém será desacatado, pois ninguém tem o saco mais roxo que o meu ,e não vamos tolerar gritos nem desrespeito com ninguém porque o ditado é muito claro: "quem quer ser respeitado,tem que respeitar". Em resumo, eu já comprei a sua briga, e estou muito arrependido de não aceitar ser o PRESIDENTE deste glorioso e respeitável clube, que é a nossa segunda morada. Pode contar comigo.

22 de agosto de 2009 13:34  
Anonymous Anônimo disse...

TALVEZ EU TENHA ESQUECIDO DE COLOCAR O MEU NOME NO TEXTO ANTERIOR, MAS PARA FICAR BEM CLARO, E NÃO PAIRAR NENHUMA DÚVIDA, QUEM ESCREVEU FOI AGOSTINO TOMASELLI. O "ARREPENDIDO".

22 de agosto de 2009 13:36  

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