25 de mai de 2011

Anhangüera dá Samba XLV

Hoje o Anhangüera dá Samba! completa quatro anos. Quatro anos!

Mês passado recebemos Kazinho, um dos grandes baluartes do samba e da noite paulistana. Pelas mãos do grande Caio Ramos - que escreveu a biografia do Germano Mathias - que conseguimos localizar o Kazinho - há anos numa casinha de um cômodo no Camargo Velho, extrema zona leste. Aos 83 anos vive sozinho, contando com a ajuda de sua única filha, e não se apresentava há coisa de 30 anos.

Taí o fator mais importante. Uma das nossas idéias, no princípio, era poder levar gente como o Kazinho para o Anhangüera dá Samba! - gente que contribuiu, que lutou, que cortou um doze. Que fez história, enfim. Essa memória deve ser conservada; é preciso ouvir os causos contados por esse (hoje) anônimo. Acho que foi, nesses termos, a edição mais importante do nosso projeto. Kazinho contou várias passagens de uma cidade que, mesmo sendo esse gigante, conservava uma caipirice que quase não se vê mais.

Começou duas semanas antes, quando levamos Kazinho ao Bar do Alemão. Lá, num bar de música, noturno, começamos a desfrutar da verve do velho. No dia do samba, a coisa pegou fogo antes, na casa do bom Paulinho Timor, que preparou uma galinhada nervosa. No Anhangüera então...

Paula Sanches, Fernando Szegeri, Chico Aguiar, Railídia e o mestre Kazinho

Pra cantar os sambas do Kazinho tem que ser iniciado. Convidamos Chico Aguiar e a Paula Sanches - ambos já foram nossos homenageados - pra dividir com o Fernando e a Rai essa honra, como se vê na foto. Cada um deles se preparou e cantou dois sambas do Kazinho - que infelizmente, por um problema de audição, não segura mais uma roda de samba. Mas Kazinho também cantou; e impresionante: não perdeu aquela divisão tão característica. Não perdeu o tom, a ginga. Que noite, que noite. Olha aí o Chico cantando uma delas:



Hoje são quatro anos. Este texto não tem a intenção de divulgar nada, já que faltam poucas horas para o samba começar no terreiro. Vamos receber um mostro: Wilson das Neves! Vai ser foda! (o palavrão às vezes se faz necessário; ele eleva ao infinito qualquer expressão)

Mês que vem eu conto como foi. Vamos ouvindo o mestre e esquentando os tamborins. Ô sorte!

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